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Pressionados, juízes param 24h por auxílio-moradia

Está marcada para esta quinta-feira uma paralisação de um dia de juízes federais em todo o Brasil. O protesto foi convocado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).

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O presidente da entidade, juiz Roberto Veloso, diz que a greve é uma resposta aos “ataques” sofridos pela magistratura em função do combate à corrupção na Operação Lava Jato.

A Ajufe realizou uma consulta entre os associados e mais de 81% dos membros votaram a favor da paralisação. “A indignação contra o tratamento dispensado à Justiça Federal se materializou”, afirmou Veloso.

O levante dos juízes aconteceu logo após uma série de revelações pela imprensa de que famosos magistrados brasileiros recebiam o auxílio-moradia mesmo sendo proprietários de imóveis nas cidades onde estão alocados.

É o caso de Marcelo Bretas, juiz federal da Operação Lava-Jato no Rio, que chegou a entrar na Justiça para receber o benefício, e de Sérgio Moro, que tem apartamento em Curitiba. O ministro Gilmar Mendes é mais um dos que detêm propriedades em Brasília, onde trabalha.

O auxílio-moradia não é ilegal, mesmo para os casos de donos de imóveis no município. O penduricalho foi autorizado a toda a magistratura em liminar concedida pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.

A data escolhida para a greve dos juízes, não à toa, é a uma semana do julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a regularidade da liminar de Fux.

Juízes protestam por entenderem que se trata de um direito adquirido, que serve como compensação à falta de reajuste nos salários do Judiciário. O salário de um juiz federal é de aproximadamente 26.000 reais.

Algumas unidades funcionarão em regime de plantão, mas a manifestação da Ajufe nasce quebrada. Na noite de quarta-feira, o Conselho de Representantes da Associação dos Magistrados Brasileiros, a AMB, decidiu que a entidade não participaria da greve desta quinta. A AMB tem 14.000 filiados em todo o país, em todos os setores do Judiciário.